Início Destaques “Reduzir alcance” equivale a recolher livro de prateleira

“Reduzir alcance” equivale a recolher livro de prateleira

Foto: Steve Buissinne / Pixabay
Foto: Steve Buissinne / Pixabay

Um dos argumento sacados pela agências de fact-checking quando acusadas de atuarem como censoras junto ao Facebook é a alegação de que “redução de alcance” não seria censura. Por exemplo, foi basicamente o que a diretora da Agência Lupa afirmou ao Jornal Opção:

“O que é importantíssimo destacar é que não existe nenhum tipo de censura ou retirada de conteúdo identificado como falso. O que existe é uma espécie de penalização com a redução de entrega de conteúdos considerados falsos no Facebook.”

Mas “reduzir alcance” implica em impedir que aquele conteúdo atinja seu público orgânico, ou seja, venha a ser plenamente consumido por quem se interessa por ele. Equivale a retirar das prateleiras um livro incômodo: o autor continua com a obra à venda na própria calçada, mas os leitores não mais conseguirão encontrá-la nos pontos de venda.

Uma vez sinalizado o conteúdo, o Facebook promete reduzir o alcance drasticamente. Na reincidência, o alcance é zerado, ficando a apreciação da informação restrita aos parcos usuários que vão além do “feed de notícias” e visitam diretamente o perfil ou página penalizadas.

Porque representa uma nítida agressão ao direito humano de ser livre para se expressar, é um prática a ser combatida pela sociedade. Inclusive se não vier de um governo, mas de uma empresa monopolista que faz parcerias com governos e grupos políticos.

Portanto, é possível afirmar sem peso na consciência: reduzir o alcance é, sim, uma forma de censura, pois impede que indivíduos tomem conhecimento de conteúdos e de seus propagadores.