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Erros de “checagem de fatos” condenarão sites conservadores à insignificância

Mark Zuckerberg. Foto: Brian Solis
Mark Zuckerberg. Foto: Brian Solis

O Facebook anunciou no ano passado que usaria fack checkers – agências terceirizadas para verificação – como parte de sua campanha para erradicar as “fake news” de sua plataforma. Na época do anúncio, conservadores reclamaram que alguns dos sites que serviriam como verificadores são sabidamente identificados com o pensamento de esquerda, como o PolitiFact e o Snopes.

Por exemplo, eles classificaram como “falso” uma notícia do site de humor Balylon Bee (semelhante ao ‘Sensacionalista’ no Brasil). Ora, o site avisa aos leitores que o que faz é sátira, e não jornalismo.

Paula Bolyard, do site conservador PJ Media, lamenta que uma matéria publicada por ela foi “checada” pelo braço canadense da agência internacional France Press (AFP). A análise da jornalista americana era sobre mudanças na lei da Califórnia, repercutindo dados disponíveis em outras publicações.

Segundo Bolyard, esse é um bom exemplo da “falibilidade do programa de checagem de fatos do Facebook”. Após a denúncia que o material assinado por ela misturaria fatos verdadeiros e falsos, a rede social a avisou que iria diminuir o alcance e não permitir o impulsionamento.

Todo o problema residia na escolha de palavras pela jornalista. Ela copiou trechos de uma nova legislação californiana sobre o uso de água. Ao mencionar que haveria multas, a AFP verificou como “inverídica”, muito embora a lei literalmente diga isso. Na abordagem da AFP, não havia menção às multas. Ou seja, ao não repetir a mesma versão da agência de notícias, foi classificada como propagadora de “fake kews”, independentemente do que a lei de fato dizia.

Por sua vez, o Facebook acatou o argumento da AFP e prejudicou o PJ Media.

Quem está verificando esses verificadores de fatos?”, questionou Paula Bolyard em uma matéria denunciando a falta de clareza para o estabelecimento do que é (ou não) fake news. Ela lamenta que a decisão do Facebook foi incoerente.

Eu relatei notícias falsas? Ou uma ‘mistura’ de verdade e mentiras, como concluiu a AFP, uma decisão com a qual o Facebook concordou?”, reclama a jornalista, explicando que recorreu da decisão junto à rede de Mark Zuckerberg, que colocou a classificação do link como falso “sob disputa”. Pior, o Facebook sugeriu que o site PJ Media entrasse em contato diretamente com a AFP para resolver o problema. Até o momento da redação deste texto, a agência não deu uma explicação sobre os critérios.

No email que recebeu da rede social, a PJ Media foi informada que, além do processo de verificação de fatos de terceiros, o Facebook observa as marcações dos usuários de quando eles consideram uma notícia falsa.

Em outras palavras, usuários do Facebook que, por qualquer motivo, não gostem de uma matéria, por qualquer razão, têm o poder de impedir a divulgação daquilo, mesmo que haja comprovação. Assim, se um grupo organizado de usuários marcarem um artigo como falso, ele será encaminhado para a equipe de checagem de fatos”, explica Bolyard.

No caso específico da matéria sobre a lei da Califórnia, a análise técnica da PJ Media, com trechos do texto original copiados na íntegra, tinha mais de 50.000 compartilhamentos quando foi “sinalizada” pelo Facebook.

Isso, evidentemente, prejudica a imagem do site junto aos seus leitores. Ademais, embora agências que receberam a confiança do Facebook por serem “apolíticas”, como a PolitiFact sabidamente tem um histórico de ligação com grupos de esquerda e um claro viés anticonservador.

De fato, durante as primárias de 2016, a PolitiFact chamou o senador Ted Cruz de “mentiroso” porque ousou dizer que “garotos não podem ser garotas e vice-versa” durante um debate sobre a controvérsia do banheiro transgênero.

Então é difícil crer que o Facebook não está colocando o dedo na balança em parceria com organizações de checagem de fatos que têm um claro preconceito contra os republicanos e os valores conservadores.

O Facebook já está sob pressão por escolher ‘vencedores’ nas guerras de notícias – depreciando completamente as notícias de sites menores e dando apoio somente à grande mídia. Os conservadores estão, com motivo, preocupados que esses processos de verificação ‘independentes’ adotados pela empresa farão com que seu conteúdo seja relegado à insignificância dentro da rede”, sentencia Bolyard.

Para a jornalista, que se define orgulhosamente como conservadora, “há claramente algo de errado com o processo que o Facebook está usando se artigos factuais e bem-fundamentados como o meu são sinalizados como falso. Não prevejo nada de bom para o futuro da mídia conservadora”.

Texto traduzido e adaptado do PJ Media.